Os ateístas evolucionistas costumam utilizar os argumentos do famoso filósofo David Hume em seus debates com cristãos. Há alguns anos atrás, tive a oportunidade de ler o “Tratado Sobre a Natureza Humana”, da pena desse autor. Curiosamente, um dos principais argumentos de Hume contra a possibilidade de milagres, conhecido como Princípio da Uniformidade, colide frontalmente contra a teoria da evolução das espécies, proposta por Charles Darwin. Vou explicar o motivo.
Todas as idéias estavam na minha cabeça, porém, como disponho de pouco tempo, atuei como compilador. Reuni textos em várias fontes, que aglutinados, formaram a idéia principal do meu argumento, que não seria perceptivo, se os textos fossem tomados isoladamente.
RESUMO DO PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE DA NATUREZA
Baseados em dados que não são dedutivamente conclusivos, formamos constantemente
expectativas sobre como vai ser o futuro e sobre que generalizações (proposições com a
forma "Todos os As são B") são verdadeiras. As nossas crenças sobre o futuro baseiam-se na percepção e na memória, mas não podemos deduzir como vai ser o futuro a partir de
premissas que descrevem apenas o presente e o passado.
Concentremo-nos num exemplo para ficarmos esclarecidos quanto a este ponto simples.
Suponha-se que eu observei muitas esmeraldas e descobri que cada uma delas é verde. Posso então formular a previsão "A próxima esmeralda que vou observar é verde"; ou talvez formule a generalização "Todas as esmeraldas são verdes".
O senso comum diz que somos racionais ao acreditar em previsões e generalizações se as
nossas crenças se basearem em muitos dados. Olhar para muitas esmeraldas e descobrir que
cada uma delas é verde parece justificar a minha expectativa de que a próxima esmeralda que vou examinar é verde. Mas é óbvio que não podemos deduzir generalizações ou previsões a partir das observações que fizemos no passado. Mesmo assim, os seguintes argumentos parecem argumentos não dedutivos perfeitamente racionais:
(GEN) Observei inúmeras esmeraldas, e cada uma delas era verde.
Logo, todas as esmeraldas são verdes.
(PREV) Observei inúmeras esmeraldas, e cada uma delas era verde.
Logo, a próxima esmeralda que vou observar é verde.
Tanto no argumento por generalização (GEN) como no argumento da previsão (PREV),
pensamos que a conclusão atingida está racionalmente justificada pelas premissas. Pensamos que não é um simples preconceito defender, em cada caso, que a premissa proporciona boas razões para aceitar a conclusão. A tese de Hume é a de que esta convicção não pode ser defendida racionalmente.
É importante compreender que a tese de Hume vai para além da ideia pacífica de que os
argumentos (GEN) e (PREV) que acabámos de indicar não são dedutivamente válidos. Isso é óbvio. Hume está antes a dizer que as premissas desses argumentos não justificam
racionalmente as suas conclusões. O ponto de vista de Hume é o de que não há
absolutamente qualquer justificação racional para as nossas crenças que são generalizações ou previsões.
O ponto de vista de Hume é o de que considerar que tais premissas dão boas razões para
acreditar em tais conclusões é apenas um hábito nosso. Não podemos abandonar este hábito; faz parte da natureza humana esperar que o futuro se assemelhe ao passado. Mas é um hábito que não podemos defender racionalmente. Quando o céptico nos desafia para justificar racionalmente este padrão do nosso pensamento, só podemos dizer que é desta maneira que os seres humanos de facto funcionam. Não podemos produzir um bom argumento para justificar racionalmente este hábito da mente. 12 set excluir Cristiano
Como chegou Hume a esta conclusão surpreendente sobre a indução? Hume pensou que os
argumentos acima indicados (GEN e PREV) requerem uma premissa adicional. Tal como estão, a premissa não apoia a conclusão. Se queremos que a observação apoie a generalização ou a previsão, temos que presumir que o futuro vai assemelhar-se ao passado. A este pressuposto Hume chama Princípio da Uniformidade da Natureza (PUN).Hume pensou que este princípio desempenha um papel indispensável em qualquer argumento indutivo que fazemos. O exemplo acima indicado diz respeito à cor das esmeraldas. Considere-se, no entanto, a crença de que o Sol vai nascer amanhã. Esta crença de previsão baseia-se na premissa de que o Sol nasceu em cada um dos dias em que nos demos ao trabalho de fazer uma observação. Por que devem estas observações do passado apoiar a previsão que faço relativamente a amanhã?
Hume pensou que tenho de presumir que a natureza é uniforme que o futuro vai assemelhar-se ao passado. Hume diz que, sem este pressuposto, o passado não seria um guia para o Futuro.
Deste modo, qualquer argumento indutivo pressupõe o PUN: temos que presumir o PUN para que a premissa observacional apoie a previsão ou generalização enunciada na conclusão do argumento. Isto significa que, se a conclusão a que chegamos for racionalmente defensável, então tem de estar disponível um bom argumento para pensar que o PUN é verdadeiro. Se o PUN não puder ser defendido, então tudo aquilo em que acreditamos que depende do pressuposto de que o PUN é verdadeiro também tem de ser indefensável
COMO HUME APLICAVA O PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE CONTRA OS MILAGRES
Hume começa o seu ensaio sobre milagres elogiando a argumentação de Tillotson como sendo "tão conciso e elegante e forte como qualquer argumento o pode ser contra uma doutrina tão pouco merecedora de uma refutação séria." Continua afirmando que pensa ter
descoberto um argumento de tal natureza que, se certo, pode ser um eterno verificar de todo o tipo de superstições, e consequentemente será util enquanto o mundo durar; até ao fim, presumo, os relatos de milagres e profecias serão encontrados na história, sagrada e profana. [Hume, p. 118]
O seu argumento é um paradigma de simplicidade e elegância:
Um milagre é uma violação das leis da natureza; e como uma experiência firme e inalterável estabeleceu essas leis, a prova contra um milagre, da própria natureza do facto, é tão inteira quanto qualquer argumento a partir da experiência pode ser imaginado.[p. 122.]
Ou pondo ainda mais sucintamente:
Tem de... existir uma experiência uniforme contra qualquer acontecimento miraculoso, pois de outro modo o acontecimento não mereceria aquela apelação.[p. 122]
A implicação lógica deste argumento é que nenhum testemunho é suficiente para estabelecer um milagre a menos que aquele fosse de um tipo tal que a sua falsidade fosse ainda mais miraculosa que o facto que tenta estabelecer. [p. 123] 12 set excluir Cristiano
O que Hume fez foi pegar no argumento anglicano so senso comum contra a doutrina católica da consubstanciação e aplicá-lo aos milagres, base de todas as seitas católicas. As leis da natureza não se estabeleceram por ocasionais ou frequentes experiências similares, mas por uma experiência uniforme. É "mais que provavel," diz Hume, que todos os homens morram, que o chumbo não fique suspenso no ar, que o fogo consuma madeira e a água o extinga. Se alguém afirmar a Hume que um homem consegur manter chumbo suspenso no ar por um acto de vontade, Hume perguntar-se-ia se "a falsidade do testemunho é mais miraculoso que o facto que relata." Se assim fôr, ele acredita no testemunho. Contudo, ele não acredita que um milagre pudesse ser estabelecido com base nesta evidência.
Considere o facto de que a uniformidade da experiência das pessoas em todo o mundo lhe diz que uma vez uma perna amputada, ela não volta a crescer. O que pensaria se um seu amigo, um cientista de elevada integridade, lhe dissesse que quando estava de férias em Espanha encontrou um homem que não tinha pernas mas agora caminha com dois magnificos membros inferiores. Diz-lhe que um homem santo esfregou um óleo nos tocos e as pernas cresceram. O homem vive numa pequena aldeia e todos os aldeões atestam o "milagre." O seu amigo está convencido de que um milagre ocorreu. Em que é que acredita? Acreditar neste milagre seria rejeitar o principio da uniformidade da experiência, em que as leis da natureza se baseiam. Seria rejeitar uma assunção fundamental de toda a ciência, de que as leis da natureza são invioláveis. O milagre não pode ser aceite ser abandonar um principio básico do conhecimento empirico: que coisas iguais em circunstâncias iguais produzem resultados iguais. 12 set excluir Cristiano
CONSEQUÊNCIAS DA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE À TEORIA DA EVOLUÇÃO
O princípio da uniformidade afirma que as causas do passado foram semelhantes às causas que observamos hoje. Em outras palavras, pelo princípio da uniformidade pressupomos que, no passado, o mundo funcionava do mesmo jeito que funciona hoje, especialmente no que se refere às causas. Se as leis naturais podem realizar o trabalho hoje, então o princípio da uniformidade nos levaria a concluir que as leis naturais poderiam fazer o trabalho no passado.
Considere o Grand Canyon. O que o gerou? Alguém viu se formando? Nâo, mas, pelo princípio da uniformidade, podemos concluir que um processo natural – particularmente a erosão por meio da água – foi o responsável pelo surgimento do Grand Canyon. Podemos chegar a essa conclusão com total confiança, embora não estivéssemos ali para ver isso acontecendo, porque podemos observar esses processos naturais criandos cânions hoje. Vemos isso na natureza quando observamos os efeitos da água sobre massas de terra. Podemos até mesmo ir ao laboratório e repetidamente derramar água no meio de um monte de areia, e sempre obteremos um cânion.
Considere agora outra formação geológica: o monte Rushmore, nos Estados Unidos. O que o gerou? O bom senso nos diz que jama poderíamos sugerir que o rosto dos presidentes no Monte Rushmore foram o resultado de leis naturais. A erosão não poderia ter feito aquilo. Nosso bom senso é, na verdade, o princípio da uniformidade. Uma vez que nunca observamos leis naturais cinzelando um escultura com um alto nível de detalhes como os da cabeça dos presidente numa pedra nos dias atuais, podemos concluir com corteza que as leis naturais também não poderiam fer feito isso no passado. Hoje vemos apenas seres inteligentes criando esculturas detalhadas. Como resultado, podemos concluir corretamente que, no passado, somente um ser inteligente (um escultor) poderia ter criado o rosto dos presidentes norte-americanos no monte Rushmore. 12 set excluir Cristiano
Da mesma forma, quando olha para a primeira vida unicelular, o princípio da uniformidade nos diz que somente uma causa inteligente poderia reunir o equivalente a mil enciclopédias. Nunca se observou as leis da naturais criando uma mensagem simples como “Beba Coca-Cola”, muito menos uma mensagem do tamanho de mil enciclopédias.
Por que então os darwinistas chegam à conclusão de que a primeira vida foi gerada espontaneamente com base em elementos químicos inanimados sem intervenção inteligente alguma? A geração espontânea da vida nunca foi observada. Desde que Pasteur esterelizou um frasco de vidro, um das mais fundamentais observações em toda a ciência tem sido a de que a vide surge apenas com base em uma vida similar existente. Os cientistas foram incapazes de combinar elementos químicos num tubo de ensaio e chegar a uma molécula de DNA, quanto mais produzirem vida. De fato, todos os experimentos planejado para gerar vida espontaneamente – incluíndo o agora desacreditado experimento de Urey-Miller – não apenas fracassaram, como sofrem de aplicação inválidade de inteligência. Em outras palavras, cientistas planejaram experimentos com inteligência e, ainda assim, não conseguirarm fazer aquilo que nos dizem que as leis naturais fizem ao acaso. Por que deveríamos acreditar que um processo aleatório pode fazer aquilo que brilhantes cientistias não puderam??
EM RESUMO, SE SEGUIRMOS HUME, DEVEREMOS AFIRMAR QUE A TEORIA EVOLUCIONISTA VIOLA O PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE E QUE NA VERDADE É APENAS UMA FORMA DISFARÇADA DE CRENÇA EM UM MILAGRE, ISTO É, NA GERAÇÃO ABIÓTICA DE VIDA
Bibliografia:
Norman Geisler & Frank Turek – Não tenho fé suficiente para ser ateu.
Norman Geisler - Enciclopedia de Apologética
Fonte: Cristiano Santana
A liderança do homem sobre a esposa no casamento
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